Refugiados são tema de reunião

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. - Da Secretaria de Comunicação da UnB

Fonte: www.unb.br
25/07/2013

 

Representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) se reuniram, na última quinta-feira (25), com o reitor Ivan Camargo, e com a professora Fátima Brandão, do Decanato de Ensino de Graduação (DEG), para discutir formas de inclusão de refugiados, que buscam auxílio para aprender a língua portuguesa, revalidar diplomas e se preparar para o mercado de trabalho brasileiro. As demandas da ACNUR incluem isenção de taxa para revalidação do diploma, clareza sobre forma de ingresso na universidade e programa de ensino que incorpore a temática dos refugiados.

 

A oficial de programa da ACNUR Renata Teixeira Pires pediu ao reitor para avaliar a possibilidade de incluir a UnB no projeto Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), que atua em toda a América Latina com o objetivo de incentivar a pesquisa e a produção acadêmica relacionada ao Direito Internacional dos Refugiados em centros universitários e outras organizações. Renata Pires também sugeriu um plano de ação para incentivar os estudantes a realizarem pesquisas na área. Ivan Camargo considera o objetivo viável no curto prazo. “A administração tem todo interesse em formalizar essa parceria”, esclarece.

 

O processo de ingresso na universidade, de difícil compreensão para o refugiado, foi outro ponto levantado. A representante da ACNUR defende que a comunicação precisa ser mais direcionada ao público-alvo. A professora Fátima Brandão reconhece a necessidade de mais clareza. “A solução seria articular para integrar extensão, pesquisa e ensino por meio de uma ação contínua. Este é um momento de ordenamento das políticas institucionais”, esclarece a professora. A entrada na universidade se dá pela demanda, os interessados não precisam fazer vestibular. Havendo disponibilidade de vagas, as unidades acadêmicas analisam os documentos do solicitante e, em caso positivo, realizam o acolhimento.

 

Sobre os pedidos de isenção da taxa para revalidação de diplomas e aumento da agilidade dos processos, o reitor prometeu avaliar a situação. A ideia, segundo ele, é buscar formas de beneficiar imigrantes e refugiados, de forma geral.

 

AÇÕES - A Universidade de Brasília já tem boas práticas que estimulam o conhecimento do tema dos refugiados. O Núcleo de Ensino e Pesquisa em Português para Estrangeiros (NEPPE) oferece cursos de português com isenção de taxa. A diretora do programa, Lúcia Maria Barbosa, afirma que a iniciativa é uma forma de auxílio importante aos refugiados que chegam ao país, muitas vezes em situação precária e sem o conhecimento da língua. Renata Teixeira Pires, oficial de programa da ACNUR, defende que é preciso incorporar nessas aulas dicas sobre o mercado de trabalho. A representante da ONU também cita o projeto Umanità, ligado ao curso de Relações Internacionais na UnB, como estratégia de pesquisa e extensão universitária sobre refugiados.

 

O número de refugiados reconhecidos no país hoje passa de 4,3 mil. Apenas no Distrito Federal, existem cerca de 300 solicitantes de refúgio. Eles se dividem em dois grupos: os que solicitam refúgio pela primeira vez e os que são reassentados, ou seja, eram reconhecidos em outros países, mas não conseguiram, por diversas causas, se adaptar e buscam refúgio no Brasil. A ACNUR articula para fazer os serviços e políticas públicas chegarem a essas pessoas por meio, principalmente, do apoio a atores da sociedade civil que promovem o auxílio.